na coqueteleira


there are lessons that you never learn
June 22, 2009, 1:56 am
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hoje eu fechei os olhos esperando que quando os abrisse, boa parte dos meus afazeres estivesse pronta. rezei em silêncio para que fosse como nos contos de fada e fiz a minha oração de todos os dias: que ao acordar as coisas me pareçam mais simples, menos sofridas, menos frustrantes e que eu descubra mais um novo motivo pra viver.

só por hoje eu quero acreditar que tudo vai ser mais fácil do que eu imagino. quero pedir muito, imaginando que amanhã fará sol, que o brasil vai pra frente e que meu amor um dia vai ser correspondido. quero pedir muito pensando que em algum lugar do espaço, alguém se sente como camões descreveu, como stevie wonder cantou, como álvares de azevedo idealizou. e que é de verdade.

hoje quero pedir muito: não me digam que não é possível.



curta #2
June 4, 2009, 1:28 pm
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é que ninguém se importa verdadeiramente como que você tem a dizer, a menos de interesses em ganhos pessoais.



curta
June 2, 2009, 4:40 pm
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é tudo questão de física básica: não adianta o quanto você tenta fugir de sentir. a dor da queda é sempre a mesma. a diferença tá na quantidade de coisas que você se desfez antes de cair.



qual é o tempo que o tempo tem?
April 16, 2009, 2:40 pm
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quanto tempo se perde dizendo que sente saudades, e marcando o encontro que nunca vem, não tendo tempo pra nada, discutindo por bobagem? e quanto tempo a gente esquece? tempo das cartas, tempo da escola, tempo de falta de preocupação e do cochilo da tarde. tempo de horas ao telefone, tempo de paquerinha sonhando com o primeiro beijo. e quanto tempo se perde querendo voltar no tempo e tentando avançar o tempo que se tem?

acho que existe um tempo em que a gente caminha na velocidade que quer. e um tempo em que o tempo passa pela gente que a gente nem vê. e de repente, basta um segundo pra parar seu tempo e o espaço à sua volta: o segundo que os seus olhos se cruzam com os do outro, o segundo de um golpe, o segundo antes de você abrir a porta pra chuva cair, o segundo em que você aperta enter num email que pode arruinar toda uma vida, ou fazer alguém sorrir.  a gente fica o tempo todo procurando o único segundo que faz a vida valer a pena.

o tempo não tem tempo pra dizer pro tempo qual é o tempo que o tempo tem.



times like these
March 17, 2009, 12:58 pm
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hoje:

nasceram duas crianças com síndrome de down, o cerrado teve alguns quilômetros mais desmatados, algumas pessoas morreram mas isso não impediu que a população aumentasse. algum casal não conseguiu dormir pensando numa forma de dizer que acabou. o metrô encheu em são paulo, no japão e em londres, exatamente como todos os dias.

mas alguém descobriu uma banda nova do outro lado do mundo, ou olhou pro céu e percebeu como o dia está bonito. uma mulher deve ter mudado de idéia sobre aborto ao ver os olhos do pequeno brilharem, e outra deve ter chorado ao acordar do lado de quem ama. em algum lugar de conflito, uma família sorriu ao perceber que a guerra não os atingiu, e algum homem deve ter aprendido a amar.

porque é tudo uma questão de escolhas.



outros olhos (e armadilhas)
February 16, 2009, 12:18 pm
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um grande mistério da vida é saber quando é o bastante, mas não demais. quando chega, mas não deu ainda. e aceitar quando é demais e já deu. principalmente quando se trata de você mesmo.



hey motherfucker!
January 20, 2009, 2:38 pm
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você não come carne de bicho, mas acha uper diver jogar água nos pedestres quando chove. você se veste de palhacinho para alegrar criancinhas com câncer nos finais de semana, mas espera ganhar um ipod no bolão pela morte de amy winehouse. você se acha no direito de cobrar qualquer coisa dos políticos, mas não hesita em deixar uma bituca de cigarro no meio da rua.  você participa de grupos para falar de direitos humanos, mas sente que não é desse país e só ouve banda estrangeira.  você acha um absurdo a quantidade de mendigos nas ruas, e protesta quebrando e pichando prédios públicos. você vai em passeatas contra o aborto, mas acha bacana ficar com umas menininhas só pra comer. você critica a veja, a istoé e acha que a globo é manipuladora. mas maltrata garçons e segura a bolsa quando passa perto de um engraxate. você canta legião urbana e os velhos titãs e usa camiseta do che. mas você não entende nada do que eles querem dizer, porque você não abre mão de ir pra balada de carro, falsifica uma carteirinha estudantil e se acha descolado dizendo tem consciência social. você pratica responsabilidade social fazendo coleta seletiva e acha que o de cima sobe e o debaixo desce é a única coisa que faz sentido nas músicas de axé, mas acha o máximo ir pra argentina e não pagar metrô. é contra a pena de morte porque é a favor da vida, mas não segura o riso quando ouve que os estados unidos tão se lascando cada dia mais. é você, que contribui com empresas do tipo bunge e monsanto, mas se acha intelectual porque lê nietzsche e foucault.

você mesmo, que vive para alimentar sua vaidade destruindo os outros e que passa seus 70 anos tentando se sobressair em um monte de coisas que não vai adiantar de nada pra te livrar de uma morte dolorosa.

 

é de você que eu tenho nojo. então se assuma como um merda e faça um favor pra humanidade: lave sua boca com pólvora.



resposta ao tempo
January 16, 2009, 9:40 am
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o que é preciso para lembrar de alguém?

 

… mas fico sem jeito, calado, ele ri. ele zomba do quanto eu chorei. porque sabe passar e eu não sei (…) e gira em volta de mim, sussurra que apaga os caminhos, que amores terminam no escuro. sozinhos. respondo que ele aprisiona, eu liberto. que ele adormece as paixões, eu desperto. e o tempo se rói com inveja de mim, me vigia querendo aprender como eu morro de amor pra tentar reviver…



i quit.
January 3, 2009, 10:26 pm
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uma amiga das mais inteligentes e bacanas que tenho, disse uma das coisas mais inteligentes e bacanas que li para 2009. e não me restou nada mais a dizer, então reproduzo:

“sempre tem aquela lista de promessas para o próximo ano, cheia de coisas que queremos concretizar. e, quase sempre, não cumprimos nem o primeiro item. por isso, decidi fazer diferente. farei uma lista das coisas que quero desistir em 2009, quem sabe assim eu não consiga cumprir todos os itens. (…) portanto, desisto.”




is it getting better, or do you feel the same?
January 1, 2009, 6:58 pm
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o ano novo não depende de nós. os últimos dígitos na folha de cheque mudam sem que ninguém possa fazer nada a respeito, embora as dívidas não fiquem presas no ano passado. mas os últimos dígitos da folha de cheque aprisionam à nós mesmos nas lembranças, porque não dizemos dias passados, ou meses passados. só passa quando é o ano todo.  e independe se você é rico, pobre, bonito, feio, bom, ruim. ele passa e a gente pensa que tudo há de ser melhor. porque tem uma nova chance de ter  melhor tempo de nossas vidas, que mereça ser chamado de presente.

e não entende que cada segundo é uma oportunidade de ser dar um presente.

“para ganhar um ano novo que mereça esse nome, você, meu caro, tem de merecê-lo. tem de fazê-lo novo. eu sei que não é fácil.  É DENTRO DE VOCÊ QUE O ANO NOVO COCHILA E ESPERA DESDE SEMPRE.” – drummond