na coqueteleira


mais mentiroso que epitáfio de cemitério
February 28, 2008, 12:48 pm
Filed under: brainstorm

tive um dia irônico. diz a lenda que os mexicanos que se sentem abandonados pelo seu governo e pela sua igreja viram devotos da santa muerte. essa santa tem a forma de uma caveira e leva uma foice, mas é coberta por um manto branco, vermelho ou roxo e – dizem os fiéis – opera milagres. a diferença dos outros santos, é que santa muerte não faz nada de graça. ela volta e cobra o que você pediu. obviamente que a tradição é mundialmente condenada. hipócritas.

isso porque na vida, nada é de graça. tudo que sobe, desce. quem ousa dizer que não? não vejo problema de o mesmo acontecer com uma entidade religiosa. conheço uma dúzia de reles mortais que não fazem nada por ninguém, mas mesmo assim cobram alguma coisa de volta. e esses, só mesmo um ser das trevas pra dar um jeito.

tive um dia irônico, com contradições suficientes pra escrever um livro. uma morte, uma festa. um fim, um começo. a distância que gera uma proximidade fisicamente impossível. cheguei à conclusão então de que amor demais castiga. quando você ama demais, é condenado a sofrer uma decepção memorável com a pessoa a quem se dedicou. é a lei da vida: tudo que vai volta em sentido oposto e igual intensidade. e é difícil não acreditar num Deus nessas horas. porque a justiça mundana não pode julgar um coração sem caráter. sem amor. de quem é a culpa, se você simplesmente não sabe o que ele significa? o mais interessante é que quem ama conhece, sente. mas quem é amado não sabe disso, e insiste na mentira.



jesus christ
February 27, 2008, 12:10 am
Filed under: o que fala por mim

“So what did You do those three days you were dead? Cause this problem’s gonna last more than the weekend”



ninguém gosta de ir na frente
February 18, 2008, 7:04 pm
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hoje li um texto que diziam ser do arnaldo jabor e mesmo não acreditando que ele sequer saiba da existência do mesmo, vou dizer que era dele pra facilitar, até porque não é o nome do autor que me fez pensar. era um texto que começava com uma citação de renato russo, dizendo que o mal do século é a solidão. terminava com “…o que realmente não dá é continuarmos achando que viver é out, que o vento não pode desmanchar o nosso cabelo ou que eu não posso me aventurar a dizer pra alguém: ‘vamos ter bons e maus momentos e uma hora ou outra, um dos dois ou quem sabe os dois, vão querer pular fora, mas se eu não pedir que fique comigo, tenho certeza de que vou me arrepender pelo resto da vida’.”

pensei sobre os sentimentos e emoções que negamos ao longo da vida. esses que vão crescendo ou aparecendo e a gente nem se dá conta de que estão ali. alguns são decorrentes da longa olhada pro abismo, outros são os que nós preferimos desprezar. e o que mais me assusta de todos eles é o medo. e eu não falo do medo do homem do saco. esse é fácil arrumar. difícil mesmo é levantar depois de cair. levantar de verdade, pronto pra outra. é que muita gente já me disse que aprendizado é cair num buraco, sair e tomar cuidado pra não cair de novo. mas eu acho que a gente aprende mesmo é quando sabe que não importa a profundidade desse buraco, a gente vai sair dele. e não deixa de olhar as flores do caminho pra olhar onde pisa. resolver os problemas, não evitá-los.

descobri então a biofobia, que é o medo da vida. é o que causa a competição entre os seres vivos, a hostilização da vida – do outro – e o que faz o homem matar tudo que viva: uma samambaia, um cachorro, ou seu próprio irmão(que no meu caso, é quase tudo a mesma coisa). mas biofobia seria, portanto, o medo das formas de vida, como se representassem uma ameaça. esse lance de ver um mosquito e por mais q ele esteja na dele, sem incomodar, você vai lá e mete-lhe a jornalzada nas fuças. isso se aplica várias vezes não só a seres de espécies diferentes, ressalto. mas e o medo de viver a própria vida, o que é? fazer as escolhas mais fáceis não é prova de coragem, eu sempre digo…



palavras esdrúxulas, com sentimentos esdrúxulos
February 5, 2008, 1:58 am
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“Um dia, eu disse que me arrependia de tudo. Hoje, eu tenho certeza que me arrependo de muitas coisas mesmo. De não ter te abraçado mais, de não ter dormido mais do seu lado, de não ter pedido pra você me contar todos os dias a piada do colírio pro menininho cego. Porque talvez eu tenha deixado de lembrar um ou dois dias durante o tempo em que te tive perto, e por isso me arrependo. (…) Mas são as vezes em que eu lembrei que me dão o pouquinho de força que eu preciso pra não desistir de ser feliz de novo. Você salva vidas. Os seus olhos, lindos quando você acorda. Os cílios ficam grudadinhos e os olhos bem escuros, e dá vontade de beijar. E o seu sorriso, que derrete qualquer tensão. Ambos eu espero que estejam sempre em boas mãos, porque eles devem ser cuidados e apreciados cada nanosegundo. Se soubessem como seu abraço pode curar qualquer mal… “

… naturalmente ridículas. 

só pra não se perder com o resto.



a gota de orvalho
February 5, 2008, 12:57 am
Filed under: liberdade

hoje olhando umas fotos eu me peguei pensando de uma forma muito esquisita. minha terapeta me disse que eu falo de tristezas sorrindo. e todo mundo sabe que eu tento ao máximo controlar meus sentimentos ruins. e aí eu percebi que nas fotos em que saio melhor são justamente aquelas em que eu estava mais triste. daí eu coloquei “felicidade” na wikipédia e encontrei uma pesquisa: “… aponta que 75,5% dos brasileiros entrevistados se consideravam felizes”. e eu olhei a minha foto, li o resultado dessa pesquisa. olhei minha foto de novo e me perguntei se eu estava tão feliz quanto acho que eu era naquela época.

de lá pra cá as coisas mudaram, e muito, mas eu fico pensando se não sou mais feliz agora. hoje também respondi um tópico do orkut que queria saber o que era preciso pra escrever poesia. respondi que era preciso sofrer. sofrer de tanto amar, de tando doer, de tanto pensar, de tanto viver, de tanto sentir. e não no sentido de dor mas de existir mesmo. eu, por exemplo, sempre sofri de amor. amor que não cabe dentro da gente. e é por isso que às vezes eu penso que naquela época, embora quisesse ficar lá pra sempre, eu não podia sofrer de amor. por isso que agora eu sofro com o amor.

“a carne contra a carne produz perfume. mas o contato com as palavras apenas engendra sofrimento e divisão.”

e depois de añais nin, eu decreto: não quero mais me encontrar com as palavras.