eu olho as pessoas planejando o futuro, e os governadores reformando estádios pra copa do mundo e o jk com seu bracinho pra cima vestido com a camisa da seleção brasileira. alguém avisa pra galere que não chegaremos lá?
maias, nostradamus, astrônomos, os ficheiros secretos e o mago merlin. todos unidos para alertar sobre o apocalipse de 2012. esse raro alinhamento da terra com o sol e com o centro da via láctea é no mínimo curioso. a gente tá lá, chegando no meio de tudo, prestes a voar pelo espaço e eu tô preocupada com o fato de ter prova e não estar entendo muita coisa do que deveria. daí eu vi um moço analisando essa bagunça toda e falando que o mundo acaba a todo segundo. a gente fica aí…um tempão planejando as coisas e esquece de viver. “a vida é o que acontece enquanto você tá aí parado esperando”, ou qualquer coisa que o valha, dizem. ontem eu me vi esperando. e vi que a gente tá sempre esperando. espera entrar numa faculdade pra fazer o que gosta. espera se formar pra ganhar dinheiro. espera ter dinheiro pra fazer o que quiser da vida. quando isso acontece, você criou raízes de tal forma naquela posição que aí espera pelo fim de semana, pelas férias, pela aposentadoria, pela morte. ok, fique aí na sua poltroninha de contentamento. acho que pensamos demais no fim. para que alguma coisa morra, ela primeiro tem que nascer. e não devemos pensar que todo segundo é uma morte, mas um nascimento. de uma oportunidade, de uma idéia… o que morreu já não tem mais volta. e digo mais: “a mudança é aquilo que acontece enquanto a gente fica em casa reclamando de rotina”. malditos seres humanos e sua mania de só acreditar vendo. e achar que vê tudo. deus criou o homem à sua imagem e semelhança. e o homem achou que todas as coisas que não fossem a sua imagem e semelhança não existem. tsc.
enquanto escrevo, tem um reloginho contando os segundos pro mundo explodir. acho que seria um espetáculo e tanto pra se assistir assim, nos anéis de urano. rodando e cantando e assistindo um show de luzes e pirotecnia. eu diria num camarote na lua, que é o fino da via láctea, mas pode respingar alguma coisinha e bah! estragar meu vestido de gala com poeira cósmica e ainda correr o risco de pegar uma doença por radiação solar? nem pensar, urano now. e ainda rola de usar uma pashmina chiquérrima naquele friozinho.
infelizmente eu não acredito que o mundo vá de fato, se auto-destruir. e os homens… já que não há calibre que mude uma idéia, eles decidiram ter péssimas idéias. legal, espertão!
Mas e o homem? O homem pode falhar, ser preso, morto e esquecido. Mas 400 anos depois uma idéia ainda pode mudar o mundo. Ou não.
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meia-noite e eu em casa. odeio comédia romântica mas assisti a três seguidas hoje. meia-noite de sexta e eu em casa. odeio comédia romântica porque é um gênero escroto que inventaram pra falar “olá, essa realidade não é sua” e nos dias malditos isso pesa. pesa pra caralho. além de ser mulherzinha. eu já sou mulherzinha o suficiente e gosto de filmes de macho. e não bastava o mês, a semana, o dia enviado do demônio que eu tive, estou conversando com um completo estranho no msn que dá risadinhas com “rs” e ta querendo saber mais sobre mim. ops! ele escreveu frustrado certo, e não troca mais com mas. ok pra ele. meia-noite de sexta e eu em casa. no msn.
então eu me vi num avião indo pra porto alegre. e durante a conexão eu fazia palavras cruzadas e tive a certeza absoluta de que meu botãozinho de auto-sabotagem estava prestes a ligar. do meu lado ia uma mulher esquisita que me oferecia absolutamente tudo que ela fazia. dos lanchinhos do avião à folha de são paulo. mas eu queria dormir. eu só queria compensar a minha noite não dormida e descer em solo gaúcho com a cutis descansada. mas ela não deixava e eu quis olhar pela janela. e me dei conta de que pela primeira vez eu fazia uma viagem que não sobrevoava o mar. durante anos me preparei pra flutuar no assento do avião, mas nunca havia pensado no que fazer pra não virar paçoca caso seja necessário um pouso de emergência e agora não adiantava mais. eu até ia de sapatos fáceis de tirar pra não acumular água, e daquela vez não haveria água. como caminhar na mata durante semanas de salto alto? ok. adquiri um novo problema. não bom, não bom.