na coqueteleira


vamos viver só de amor
November 29, 2008, 1:17 am
Filed under: keep walking

estava lendo na comunidade mais bonita do brasiu sobre o buy nothing day, e essas coisas sempre me fazem lembrar dos meus tempos de escola, quando meus melhores amigos eram os professores. um deles disse que a minha geração é a mais hipócrita que ele conhece, porque reclama demais e não faz nada. e ainda acha bonitinho falar da ditadura e dos direitos das mulheres da tribo shipibo-conibo e matar aula pra ir ao shopping no minuto seguinte.

mas o que me fez pensar mesmo foi no que é necessário à nossa sobrevivência. chocolate eu sei que não é. nem ter 100 pares de sapato. mas coisas assim fazem a vida ficar mais divertida, é claro. e eu creio que ficar aqui apenas respirando não faz de você um exemplo de ser humano. eu respondo a estímulos, preciso ser motivada, e preciso sim de acessórios pra viver. minha mãe diz que eu não nasci grudada em ninguém, mas então porque a soidão faz a vida da gente parecer tão horrível e sem sentido?

às vezes eu sinto que preciso sim de alguém pra viver. embora meu coração continue batendo sem ninguém por perto, não parece estar dentro de mim. e o que dizer dessa dorzinha, do ar que falta, da sensação de frio e dos pensamentos que me fogem?

consumo o que posso, porque fui consumida, absorvida, desfeita. porque preciso me tornar alguém, já que fui tomada de mim.

vamos começar lavando os pratos, me deixe amarrar os seus sapatos.



este programa não está respondendo
November 12, 2008, 12:37 pm
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por mais de uma hora os dedos ficaram ali, imóveis em cima do teclado, esperando que a primeira palavra viesse e explicasse o que tanto incomodava. tentei algumas vezes e cheguei à terceira ou quarta letra até desistir novamente. a página branca incomoda, é incontrolável, e só depende de alguém pra ser preenchida. pensei na necessidade que tinha de escrever ali, de acabar com o silêncio perturbador do documento1, que só refletia o que está aqui dentro. a barra piscando é uma afronta, uma dúvida audaciosa, um desafio ao controle das emoções, que eu já não tenho. olhei fixamente pra ela, talvez esperando que desaparecesse subitamente, envergonhada de sua ousadia. mas ela permaneceu piscando no mesmo intervalo de tempo, sem se abalar.

a barra no início da página branca vai seguir o que for escrito, o que fez ontem não importa e não tem futuro. não sabe o que vem a seguir. quem lhe domina é bom? é mau? fez um curso de datilografia, sabe separar sujeito de predicado? ela apenas o faz, silenciosamente. e no dia seguinte aparece no mesmo lugar, com todo o vazio do que vem a seguir, sem alteração no intervalo de seus passos.

a página, ainda em branco, me disse que o silêncio também é ser. o vazio também existe. fui até o x, e o windows travou.



e fez-se luz
November 3, 2008, 1:58 pm
Filed under: brainstorm, livre associação | Tags:

ou “quebra nozes – o espetáculo”

e esse lhc, hein?

Deus fez o homem à sua imagem e semelhança e o homem se limita a achar que são as características físicas que nos definem creaturas divinas. ou então resolvem explodir tudo pra reviver o início. mente pequena a desses humanos, huh? é capaz de construir um buraco negro (for what?) mas é incapaz de preservar a si mesmo. ah, nossa vã filosofia… entender o início de tudo pra saber como termina. termina com alguém com mãos fechadas e uma dinamite acesa dentro delas [/armaggedon]. ou um buraco negro no centro da terra. vai saber.

é mais fácil destruir. tem esse acelerador de partículas aí, tem a dolly e a nostálgica area 51 – i want to believe. e eu só penso em como não tem cura pra angústica, pra tristeza, pra decepção. e onde foi que se perderam os cientistas do dia-a-dia, aqueles pra quem quanto mais se estudava mais se acreditava na existência de uma lei universal. aqueles que procuravam respostas pro nosso renascimento de todos os dias, esse sim me interessa muito. não nego ser interessante a possibilidade de ver “a mão de deus e o início de tudo”. só que as frustrações a gente aguenta sozinho, deixa pra depois. será que o mundo foi feito pra ser decifrado, ou só aproveitado? descoberto, ou sentido? quando a mente humana se rebela contra o próprio dono, quem é capaz de curar?

olho pra cima, e penso “o céu é o limite”. mas acho estanho pensar no céu. é só um monte de nada com poeira, pedras e explosões. o céu é só um monte disso aqui que tá em volta da gente, então por que a gente precisa olhar lá pra cima pra se encantar com as estrelas?