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a indignação sempre esteve em mim. mas só recentemente eu decidi me juntar à outras tão indignadas quanto eu e tornei a briga pessoal mesmo. mas calma: eu prometo não mencionar as palavras patriarcado, macho ou copular uma única vez nesse post. somente porque não quero falar pra nenhuma feminista, pra nenhum masculinista. nunca li simone de beauvoir, sou n00b, não tenho autoridade pra falar de várias coisas, mas gosto de ser respeitada mesmo assim. escrevo aqui pra mim, por mim, e eu não uso essas palavras no dia-a-dia, então acho válido manter o padrão. não tô aqui pra completar o bingo de ninguém. e desde já deixo bem claro: não gostou, me processa. mas não venha me atormentar com seus comentários que eu tô indo dormir.
então eu cliquei nesse link. desde que comecei a participar de discussões feministas li muita coisa radical (dos dois lados), muita coisa intolerável, muita coisa mal interpretada e mais ainda: muita, mas muita mesmo, hipocrisia. é claro que tudo que ando aprendendo me levou a ser um pouco mais crítica com coisas desse tipo, mas cheguei naquele ponto em que se pára e pensa: quantas imagens já foram denunciadas, quantas marchas já foram feitas, quantas amizades desfeitas e a idéia continua firme? avançamos, é verdade. mas não o suficiente pra alcançarmos. e me deu preguiça.
e esse texto veio exatamente como os sermões que ouço na vida real. vestido de algo muito amigável, mas no final das contas, cagando regras e abrindo prerrogativas para penalizar quem não as leva a sério. o que na verdade é muito irônico pra um texto que aborda exatamente como mulheres devem se vestir para não sofrerem as consequências de despertar o selvagem sexto sentido. quer dizer, se a vestimenta diz tanto assim sobre uma pessoa, por que não podemos aplicar esse quesito aos discursos? e o erro aí é bem esse mesmo: o que se diz não é pra ajudar. eu me igualaria aos que critico se dissesse que não existe um mínimo de influência sobre o que os homens vão achar da minha aparência quando me visto pra sair. mas em ordem de importância, as coisas que passam pela minha cabeça quando escolho o que vestir: posso usar sem calcinha/sutiã, me aperta, minhas pernas ficam tortas, não vai aparecer a mancha de comida que eu certamente vou derramar em cima, me elogiam quando eu uso, não é calça jeans. vê? é assim que funciona. eu concordo que os decotes e mini saias saíram da balada para os escritórios e que isso é desnecessário e poderia ser evitado. tem hora e lugar pra tudo, e mais uma vez vou evitar a falsidade ao dizer que um decote bem colocado pode desviar a atenção dos pobres trabalhadores. mas um terno bem cortado tem o mesmo efeito em algumas ocasiões, e mesmo assim a gente segura a onda. eu não tenho a menor pretensão de mudar a idéia de ninguém. mas acho que tenho o dever cidadão de mostrar a importância de sair da casinha. de enxergar algo que vai além da sua sexualidade, porque nem tudo se resume à ela – e isso vale pra qualquer gênero. quando eu mostro meu corpo espero receber meu cachê em liberdade. liberdade pra dar o que eu quiser, pra quem me interessar, no caso de ela estar interessada também.
é que existe uma regra básica, crianças: mostrou uma parte do caráter, não adianta mais mostrar o resto.
p.s.1:eu cansei da retórica extrema-radical-feminista. cansei mesmo. como cansei da retórica extrema-radical-de-esquerda ou de direita. ou religiosa. ou ateia. tenho preguiça de discussões infinitas, sem praticidade, sem foco, sem propósito definido. mas tenho acesso à todos eles, obrigada. eu falo dar porque sou dessas que acha que não adianta falar pra quem já tem entendimento sobre o assunto.
p.s.2: essa parte da roupa bem cortada ser privilégio de gente rica é uma piada, né? eu vou assumir que é uma piada porque não tá fácil.
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