Filed under: expressionismo
e por falar nisso, andei pensando sobre gramática. se eu pudesse ser uma palavra eu seria um verbo. direto, pontual, essencial. não um verbo muito poético ou subjetivo. nada dessa coisa de “ser”, “pensar” ou “ter” porque esses prolongam a discussão. eu escolheria ser um verbo simples, do tipo “caminhar”. e eu pediria a mão de um substantivo bem bacana, tipo “calçada” e teríamos um filhote preposição. seríamos uma família feliz caminhando pela calçada. ou eu poderia ter um cotidiano solitário, como “escovar”, ora os cabelos, ora os dentes. sem uma relação muito exclusiva que é pra não desgastar. e eu fugiria de advérbios como o diabo da cruz. advérbios têm aquele efeito bigorna acme, são pesados e estão sempre acompanhados de muita responsabilidade. um advérbio é rancoroso, é petulante, não sabe o sentido de movin’ on, não deixa pra lá, é sempre cheio de si. não gostaria de me perder nos quandos, nos ondes, nos comos. porque de questionamentos essa vida de agora já tá cheia.
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