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estava lendo na comunidade mais bonita do brasiu sobre o buy nothing day, e essas coisas sempre me fazem lembrar dos meus tempos de escola, quando meus melhores amigos eram os professores. um deles disse que a minha geração é a mais hipócrita que ele conhece, porque reclama demais e não faz nada. e ainda acha bonitinho falar da ditadura e dos direitos das mulheres da tribo shipibo-conibo e matar aula pra ir ao shopping no minuto seguinte.
mas o que me fez pensar mesmo foi no que é necessário à nossa sobrevivência. chocolate eu sei que não é. nem ter 100 pares de sapato. mas coisas assim fazem a vida ficar mais divertida, é claro. e eu creio que ficar aqui apenas respirando não faz de você um exemplo de ser humano. eu respondo a estímulos, preciso ser motivada, e preciso sim de acessórios pra viver. minha mãe diz que eu não nasci grudada em ninguém, mas então porque a soidão faz a vida da gente parecer tão horrível e sem sentido?
às vezes eu sinto que preciso sim de alguém pra viver. embora meu coração continue batendo sem ninguém por perto, não parece estar dentro de mim. e o que dizer dessa dorzinha, do ar que falta, da sensação de frio e dos pensamentos que me fogem?
consumo o que posso, porque fui consumida, absorvida, desfeita. porque preciso me tornar alguém, já que fui tomada de mim.
vamos começar lavando os pratos, me deixe amarrar os seus sapatos.
por mais de uma hora os dedos ficaram ali, imóveis em cima do teclado, esperando que a primeira palavra viesse e explicasse o que tanto incomodava. tentei algumas vezes e cheguei à terceira ou quarta letra até desistir novamente. a página branca incomoda, é incontrolável, e só depende de alguém pra ser preenchida. pensei na necessidade que tinha de escrever ali, de acabar com o silêncio perturbador do documento1, que só refletia o que está aqui dentro. a barra piscando é uma afronta, uma dúvida audaciosa, um desafio ao controle das emoções, que eu já não tenho. olhei fixamente pra ela, talvez esperando que desaparecesse subitamente, envergonhada de sua ousadia. mas ela permaneceu piscando no mesmo intervalo de tempo, sem se abalar.
a barra no início da página branca vai seguir o que for escrito, o que fez ontem não importa e não tem futuro. não sabe o que vem a seguir. quem lhe domina é bom? é mau? fez um curso de datilografia, sabe separar sujeito de predicado? ela apenas o faz, silenciosamente. e no dia seguinte aparece no mesmo lugar, com todo o vazio do que vem a seguir, sem alteração no intervalo de seus passos.
a página, ainda em branco, me disse que o silêncio também é ser. o vazio também existe. fui até o x, e o windows travou.
achei que todo cidadão, ao ser acusado de um crime, deve ter seus direitos lidos. eu votei nas últimas eleições e já pago algus poucos impostos. também tenho ficha policial e apareço no censo como um dos mais de 190 milhões de habitantes do Brasil, de forma que sempre me considerei cidadã.
mas alguém decidiu que não. que de fato, tudo que eu dissesse poderia e seria usado contra mim, mas não me deu o direito de um advogado. se bem me lembro dos meus limitados conhecimentos de direito, ninguém é obrigado a produzir provas contra si mesmo. então a questão não é o réu, mas a autoridade que o julga. mas que autoridade é essa?
as pessoas acham que sabem muito. o limite do certo e do errado, do bom e do ruim pra todos os outros. não tem um ditado que diz que quando a gente aponta um dedo pra alguém tá apontando três pra si mesmo? todo mundo julga os outros e isso é fato. mesmo que seja o mínimo: fulano é imaturo, bobo, engraçado. mas só alguns têm a capacidade de julgar, sentenciar e condenar. e foi assim.
se amar é prisão, acreditar no amor é solitária. …assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido, mas livrai-nos do mal, amém.
“we’ve got it wrong, but it’s all right. the more things seem to change, the more they stay the same.”
assisti a um filme bobo essa semana. tinha cólica, dor de cabeça, muito cansaço e nenhum dinheiro. das salas de espera, ele dizia.
esperava perder alguns quilos para ir à praia, e que meu cabelo crescesse para que eu deixasse solto. esperei o final de semana pra fazer as unhas e pra poder andar de salto, e as aulas acabarem pra poder ler um bom livro. espero me formar pra fazer um curso legal, espero terminar o nível intermediário do grego pra ir à grécia. espero que seu dia seja bom, que você tenha muitos anos de vida, espero que você tenha sucesso daqui em diante, que você vá bem na prova, que deus te ouça, que alguém em ajude, que o ano que vem seja melhor, que você fique cada vez mais jovem, bonito, que esteja tudo bem… espero que dê tudo certo e espero que não seja nada.
porque ninguém te diz aonde leva aquela sala de espera. você não sabia o que encontraria, e não é isso que assusta. assusta pensar no que você vê enquanto espera. as pessoas envelhecendo ali paradas, com os mesmos sentimentos e expressões e idéias de anos atrás. e assusta ir aos poucos se tornando uma delas. a dor (e o amor), não pede permissão pra se instalar em você, e te consome. vê onde encontraria um ambiente agradável pra ficar e fica ali. você não tem tempo de pensar se quer ou não aquilo, e ambos só querem alguém que deixe que eles fiquem ali, se alimentando de toda sua energia. esperar é uma zona de conforto, a gente se vê optando por problemas velhos pelo medo de não saber lidar com novos. de tempos em tempos levantamos daqui e vamos dar uma volta, tomar um café, olhar umas vitrines. mas a gente sempre volta. e pergunta: “já chegou a minha hora?”.
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não que eu esteja querendo reclamar que a vida anda parada demais. eu ando me movimentando bastante, até. mas me pergunto até que ponto entrei numa vida que não é a minha. até onde esse caminho me leva pra onde eu quero. ou melhor, o que é mesmo que eu quero?
hoje sei que quero meu nintendo wii. e que quero sair de casa as soon as possible. mas será que é isso mesmo? mudo de idéia 3 vezes durante o dia, e continuo sem saber se fiz a melhor escolha. prefiro pensar então, que “o caminho só existe quando você passa”. meus planos acabam quando decido se lavarei o cabelo antes de ir trabalhar. e depois volto a dormir, como se nada mais importasse. não penso nas contas que tenho pra pagar quando começar o mês, não penso em carregar a bateria do celular pra não ficar na mão, não penso nem mesmo em como vou me apresentar dia 16 se mal consigo ficar de pé.
e aí eu páro e penso: é preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã, ou isso é tipo uma caminhada rumo à falência, ao fracasso e à obesidade mórbida? mais do que definir as metas, preciso definir os métodos. sou guiada pelo instinto, pela vontade, pelo humor. talvez seja mesmo aquela velha história de que todos os caminhos nos levam à um mesmo ponto, o difícil é decidir quando e como você quer estar lá. clichê que sou, imagino alice entrando num túnel atrás de um coelho branco, por pura e simples curiosidade, e descobrindo um mundo inteiro de possibilidades. e meu coelho branco, qual seria? minha profissão? os amores? o simples fato de decidir a cor da camisa que usarei a cada dia?
sei que descubro um mundo inteiro todos os dias quando olho nos olhos de quem amo. quando percebo que tudo aquilo ainda me conquista, que é ali que encontro todas as respostas… ou não preciso delas porque nem sequer tenho perguntas. porque é minha única certeza.
“não me deixe viver o que posso. que me seja permitido desaprender os limites.” – carpinejar
alguma vez eu já ouvi que a gente pode até medir a altura do tombo, mas a dor da queda é incalculável. é certo que por mais que a gente saiba onde tá pisando, não dá pra saber quando vai cair. seria errado escolher viver até que se caia? esquecer as conseqüências é uma escolha tão ruim assim? ou seria tudo uma questão de referencial? de expectativas? não pensar no quão doloroso pode ser um tapa faz qualquer toque parecer uma pancada. mas esse tapa certamente foi precedido do beijo mais intenso…
eu sempre achei que nada é muito pouco. espero sempre alguma coisa, menos que o mínimo. deveria me achar um monstro por isso? eu já dediquei meus poemas favoritos, ofereci minhas músicas mais bonitas, fiz meus carinhos mais calorosos, dei meus beijos mais apaixonados, compartilhei meus sorrisos e meus momentos mais felizes… e minha dor mais sofrida.
…Dessa vez, doeu demais.
eu olho as pessoas planejando o futuro, e os governadores reformando estádios pra copa do mundo e o jk com seu bracinho pra cima vestido com a camisa da seleção brasileira. alguém avisa pra galere que não chegaremos lá?
maias, nostradamus, astrônomos, os ficheiros secretos e o mago merlin. todos unidos para alertar sobre o apocalipse de 2012. esse raro alinhamento da terra com o sol e com o centro da via láctea é no mínimo curioso. a gente tá lá, chegando no meio de tudo, prestes a voar pelo espaço e eu tô preocupada com o fato de ter prova e não estar entendo muita coisa do que deveria. daí eu vi um moço analisando essa bagunça toda e falando que o mundo acaba a todo segundo. a gente fica aí…um tempão planejando as coisas e esquece de viver. “a vida é o que acontece enquanto você tá aí parado esperando”, ou qualquer coisa que o valha, dizem. ontem eu me vi esperando. e vi que a gente tá sempre esperando. espera entrar numa faculdade pra fazer o que gosta. espera se formar pra ganhar dinheiro. espera ter dinheiro pra fazer o que quiser da vida. quando isso acontece, você criou raízes de tal forma naquela posição que aí espera pelo fim de semana, pelas férias, pela aposentadoria, pela morte. ok, fique aí na sua poltroninha de contentamento. acho que pensamos demais no fim. para que alguma coisa morra, ela primeiro tem que nascer. e não devemos pensar que todo segundo é uma morte, mas um nascimento. de uma oportunidade, de uma idéia… o que morreu já não tem mais volta. e digo mais: “a mudança é aquilo que acontece enquanto a gente fica em casa reclamando de rotina”. malditos seres humanos e sua mania de só acreditar vendo. e achar que vê tudo. deus criou o homem à sua imagem e semelhança. e o homem achou que todas as coisas que não fossem a sua imagem e semelhança não existem. tsc.
enquanto escrevo, tem um reloginho contando os segundos pro mundo explodir. acho que seria um espetáculo e tanto pra se assistir assim, nos anéis de urano. rodando e cantando e assistindo um show de luzes e pirotecnia. eu diria num camarote na lua, que é o fino da via láctea, mas pode respingar alguma coisinha e bah! estragar meu vestido de gala com poeira cósmica e ainda correr o risco de pegar uma doença por radiação solar? nem pensar, urano now. e ainda rola de usar uma pashmina chiquérrima naquele friozinho.
infelizmente eu não acredito que o mundo vá de fato, se auto-destruir. e os homens… já que não há calibre que mude uma idéia, eles decidiram ter péssimas idéias. legal, espertão!
Mas e o homem? O homem pode falhar, ser preso, morto e esquecido. Mas 400 anos depois uma idéia ainda pode mudar o mundo. Ou não.
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meia-noite e eu em casa. odeio comédia romântica mas assisti a três seguidas hoje. meia-noite de sexta e eu em casa. odeio comédia romântica porque é um gênero escroto que inventaram pra falar “olá, essa realidade não é sua” e nos dias malditos isso pesa. pesa pra caralho. além de ser mulherzinha. eu já sou mulherzinha o suficiente e gosto de filmes de macho. e não bastava o mês, a semana, o dia enviado do demônio que eu tive, estou conversando com um completo estranho no msn que dá risadinhas com “rs” e ta querendo saber mais sobre mim. ops! ele escreveu frustrado certo, e não troca mais com mas. ok pra ele. meia-noite de sexta e eu em casa. no msn.
então eu me vi num avião indo pra porto alegre. e durante a conexão eu fazia palavras cruzadas e tive a certeza absoluta de que meu botãozinho de auto-sabotagem estava prestes a ligar. do meu lado ia uma mulher esquisita que me oferecia absolutamente tudo que ela fazia. dos lanchinhos do avião à folha de são paulo. mas eu queria dormir. eu só queria compensar a minha noite não dormida e descer em solo gaúcho com a cutis descansada. mas ela não deixava e eu quis olhar pela janela. e me dei conta de que pela primeira vez eu fazia uma viagem que não sobrevoava o mar. durante anos me preparei pra flutuar no assento do avião, mas nunca havia pensado no que fazer pra não virar paçoca caso seja necessário um pouso de emergência e agora não adiantava mais. eu até ia de sapatos fáceis de tirar pra não acumular água, e daquela vez não haveria água. como caminhar na mata durante semanas de salto alto? ok. adquiri um novo problema. não bom, não bom.