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um grande mistério da vida é saber quando é o bastante, mas não demais. quando chega, mas não deu ainda. e aceitar quando é demais e já deu. principalmente quando se trata de você mesmo.
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você não come carne de bicho, mas acha uper diver jogar água nos pedestres quando chove. você se veste de palhacinho para alegrar criancinhas com câncer nos finais de semana, mas espera ganhar um ipod no bolão pela morte de amy winehouse. você se acha no direito de cobrar qualquer coisa dos políticos, mas não hesita em deixar uma bituca de cigarro no meio da rua. você participa de grupos para falar de direitos humanos, mas sente que não é desse país e só ouve banda estrangeira. você acha um absurdo a quantidade de mendigos nas ruas, e protesta quebrando e pichando prédios públicos. você vai em passeatas contra o aborto, mas acha bacana ficar com umas menininhas só pra comer. você critica a veja, a istoé e acha que a globo é manipuladora. mas maltrata garçons e segura a bolsa quando passa perto de um engraxate. você canta legião urbana e os velhos titãs e usa camiseta do che. mas você não entende nada do que eles querem dizer, porque você não abre mão de ir pra balada de carro, falsifica uma carteirinha estudantil e se acha descolado dizendo tem consciência social. você pratica responsabilidade social fazendo coleta seletiva e acha que o de cima sobe e o debaixo desce é a única coisa que faz sentido nas músicas de axé, mas acha o máximo ir pra argentina e não pagar metrô. é contra a pena de morte porque é a favor da vida, mas não segura o riso quando ouve que os estados unidos tão se lascando cada dia mais. é você, que contribui com empresas do tipo bunge e monsanto, mas se acha intelectual porque lê nietzsche e foucault.
você mesmo, que vive para alimentar sua vaidade destruindo os outros e que passa seus 70 anos tentando se sobressair em um monte de coisas que não vai adiantar de nada pra te livrar de uma morte dolorosa.
é de você que eu tenho nojo. então se assuma como um merda e faça um favor pra humanidade: lave sua boca com pólvora.
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o que é preciso para lembrar de alguém?
… mas fico sem jeito, calado, ele ri. ele zomba do quanto eu chorei. porque sabe passar e eu não sei (…) e gira em volta de mim, sussurra que apaga os caminhos, que amores terminam no escuro. sozinhos. respondo que ele aprisiona, eu liberto. que ele adormece as paixões, eu desperto. e o tempo se rói com inveja de mim, me vigia querendo aprender como eu morro de amor pra tentar reviver…
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uma amiga das mais inteligentes e bacanas que tenho, disse uma das coisas mais inteligentes e bacanas que li para 2009. e não me restou nada mais a dizer, então reproduzo:
“sempre tem aquela lista de promessas para o próximo ano, cheia de coisas que queremos concretizar. e, quase sempre, não cumprimos nem o primeiro item. por isso, decidi fazer diferente. farei uma lista das coisas que quero desistir em 2009, quem sabe assim eu não consiga cumprir todos os itens. (…) portanto, desisto.”
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o ano novo não depende de nós. os últimos dígitos na folha de cheque mudam sem que ninguém possa fazer nada a respeito, embora as dívidas não fiquem presas no ano passado. mas os últimos dígitos da folha de cheque aprisionam à nós mesmos nas lembranças, porque não dizemos dias passados, ou meses passados. só passa quando é o ano todo. e independe se você é rico, pobre, bonito, feio, bom, ruim. ele passa e a gente pensa que tudo há de ser melhor. porque tem uma nova chance de ter melhor tempo de nossas vidas, que mereça ser chamado de presente.
e não entende que cada segundo é uma oportunidade de ser dar um presente.
“para ganhar um ano novo que mereça esse nome, você, meu caro, tem de merecê-lo. tem de fazê-lo novo. eu sei que não é fácil. É DENTRO DE VOCÊ QUE O ANO NOVO COCHILA E ESPERA DESDE SEMPRE.” – drummond
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eu ia entrar aqui e escrever sobre a minha impotência diante das inúmeras mudanças acorridas nesse ano. ou de como acho incrível como as pessoas magicamente esquecem toda a dificuldade que vários brasileiros vêm enfrentando com as chuvas, só pra dependurar papais noéis felizes em suas portas. ou de como meu ano de 2008 está terminando e-xa-ta-men-te como 2007 e da sprevisões para um ano 2.
mas o iron vem ao brasil em poucos meses. iron vem à brasília!
“he’s seen what love is. he wants to pay you back with guilt”

“quando tudo está perdido, sempre existe uma luz. mas não me diga isso, hoje a tristeza não é passageira”. posso passar a vida inteira sem saber o que é sentir fome de verdade, ou não ter para onde ir, ou sem ter uma doença que me faça implorar por dias mais longos. e no final das contas, o que faz a nossa vida valer a pena ou não?
talvez sejamos como equações. alguns são daquelas cheias de variáveis, muitas potências. outros são apenas lineares, com algumas constantes e fáceis de satisfazer. e a gente passa a vida procurando o que é que influencia mais no fim das contas. o mesmo renato da primeira frase disse que digam o que disserem, o mal do século é solidão. o que me leva de volta às equações, e à função de cada um. a do renato russo talvez fosse maximizar os questionamentos, a de um doente terminal talvez seja minimizar o egoísmo, a de um miserável, apenas encontrar uma variável que chamaram de esperança. a de algumas pessoas é minimizar as dores do mundo, anular o mal do século. mas não solucionar sua equação implica na impossibilidade do outro se encontrar, e a maioria das pessoas esquece disso na maioria das vezes. vai ver é por isso que deram à isso tudo o nome de sistema. e vai ver, a gente nem depende tanto assim de outras equações. mas fica lá esperando elas se resolverem pra descobrir isso.
“mas eu aqui, largada num canto desse apartamento, eu choro mais, eu choro menos, tanto faz, você, você não vem mesmo. mas eu aqui, eu aqui morrendo, desaparecendo como uma foto de Polaroid… eu morro mais ou morro menos tanto fez, você não veio mesmo.”
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estava lendo na comunidade mais bonita do brasiu sobre o buy nothing day, e essas coisas sempre me fazem lembrar dos meus tempos de escola, quando meus melhores amigos eram os professores. um deles disse que a minha geração é a mais hipócrita que ele conhece, porque reclama demais e não faz nada. e ainda acha bonitinho falar da ditadura e dos direitos das mulheres da tribo shipibo-conibo e matar aula pra ir ao shopping no minuto seguinte.
mas o que me fez pensar mesmo foi no que é necessário à nossa sobrevivência. chocolate eu sei que não é. nem ter 100 pares de sapato. mas coisas assim fazem a vida ficar mais divertida, é claro. e eu creio que ficar aqui apenas respirando não faz de você um exemplo de ser humano. eu respondo a estímulos, preciso ser motivada, e preciso sim de acessórios pra viver. minha mãe diz que eu não nasci grudada em ninguém, mas então porque a soidão faz a vida da gente parecer tão horrível e sem sentido?
às vezes eu sinto que preciso sim de alguém pra viver. embora meu coração continue batendo sem ninguém por perto, não parece estar dentro de mim. e o que dizer dessa dorzinha, do ar que falta, da sensação de frio e dos pensamentos que me fogem?
consumo o que posso, porque fui consumida, absorvida, desfeita. porque preciso me tornar alguém, já que fui tomada de mim.
vamos começar lavando os pratos, me deixe amarrar os seus sapatos.
por mais de uma hora os dedos ficaram ali, imóveis em cima do teclado, esperando que a primeira palavra viesse e explicasse o que tanto incomodava. tentei algumas vezes e cheguei à terceira ou quarta letra até desistir novamente. a página branca incomoda, é incontrolável, e só depende de alguém pra ser preenchida. pensei na necessidade que tinha de escrever ali, de acabar com o silêncio perturbador do documento1, que só refletia o que está aqui dentro. a barra piscando é uma afronta, uma dúvida audaciosa, um desafio ao controle das emoções, que eu já não tenho. olhei fixamente pra ela, talvez esperando que desaparecesse subitamente, envergonhada de sua ousadia. mas ela permaneceu piscando no mesmo intervalo de tempo, sem se abalar.
a barra no início da página branca vai seguir o que for escrito, o que fez ontem não importa e não tem futuro. não sabe o que vem a seguir. quem lhe domina é bom? é mau? fez um curso de datilografia, sabe separar sujeito de predicado? ela apenas o faz, silenciosamente. e no dia seguinte aparece no mesmo lugar, com todo o vazio do que vem a seguir, sem alteração no intervalo de seus passos.
a página, ainda em branco, me disse que o silêncio também é ser. o vazio também existe. fui até o x, e o windows travou.
Filed under: brainstorm, livre associação | Tags: o universo numa casca de noz
ou “quebra nozes – o espetáculo”
e esse lhc, hein?
Deus fez o homem à sua imagem e semelhança e o homem se limita a achar que são as características físicas que nos definem creaturas divinas. ou então resolvem explodir tudo pra reviver o início. mente pequena a desses humanos, huh? é capaz de construir um buraco negro (for what?) mas é incapaz de preservar a si mesmo. ah, nossa vã filosofia… entender o início de tudo pra saber como termina. termina com alguém com mãos fechadas e uma dinamite acesa dentro delas [/armaggedon]. ou um buraco negro no centro da terra. vai saber.
é mais fácil destruir. tem esse acelerador de partículas aí, tem a dolly e a nostálgica area 51 – i want to believe. e eu só penso em como não tem cura pra angústica, pra tristeza, pra decepção. e onde foi que se perderam os cientistas do dia-a-dia, aqueles pra quem quanto mais se estudava mais se acreditava na existência de uma lei universal. aqueles que procuravam respostas pro nosso renascimento de todos os dias, esse sim me interessa muito. não nego ser interessante a possibilidade de ver “a mão de deus e o início de tudo”. só que as frustrações a gente aguenta sozinho, deixa pra depois. será que o mundo foi feito pra ser decifrado, ou só aproveitado? descoberto, ou sentido? quando a mente humana se rebela contra o próprio dono, quem é capaz de curar?
olho pra cima, e penso “o céu é o limite”. mas acho estanho pensar no céu. é só um monte de nada com poeira, pedras e explosões. o céu é só um monte disso aqui que tá em volta da gente, então por que a gente precisa olhar lá pra cima pra se encantar com as estrelas?